20.1.06

 
Solta
Olha na brisa que à volta
Do seu paradeiro
Desembucha a ferida
Ou encarna o que cospe.
Solta
E depois fica louca
Com a banda na rua
Com as liras e a tuba
Com a caixa e o passo marcado
De como fossem deuses
Ou anunciação
Todos pisca-piscas.
Ou será tua lua?
Ou a brisa te escoa que não podes parar?

Volta
Nada tem de defeito
O que se arranja de engodo
É comprar laticínio
E comer latrocínio.
Qual nada
Falta luz na sacada.
Volta
Que a luz toda rouca
Nem desperta o segundo
Que seguinte o momento
Se explode em Acapulco.
Ou será claridade?
Ou o sol da coroa que o rio se dá?

Mira
E daí haja fila
Deparando com os becos
Recordando efeitos
Com hematomas sem memória.
Mira
O telescópio de onde roubaram a estrela
Ou seu brilho por Vera
E que existe uma mulher
Louca à procura do roubo.
Ou será tua sina?Ou será uma pátria sem pê nem têrrê, que vaia?

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