26.1.06

 
na soleira da porta pé ante tapete assunta entrar
por la puerta
não aparecimento explícito
algo que move penumbra pelo visto ao vão translúcido
como mistério
vulto inexpresso
vontade de sabê-lo apenas curiosa atenção.
no que transpareço
a poltrona retrai calmamente afundando.

pendurada na parede estava minha sombra a tremer com a vela.
linhas do livro eram letras pulantes. só vistas.

assombrava no eixo fora de eixo
será dúvida da minha presença ao tapete da porta
ao assento da poltrona
qual lugar onde estava.
um pedaço de algo à deriva nas bordas de la puerta
aberta ao pé içável.

nas paradas da fruta qual mulher me ascende
gosto puro da volta à parada de mim
eu pra tudo parado.
será que bate à porta?
entra eu tu meu outro palavra d'eu
sobre o lençol d'água do mar solamente sol
crava o peito em vista de transparecer-me
ao vão da porta vendo-me.

a literatura é o que posso decifrar se estivesse escrito.
como se as letras fossem minhas
leio-me ao pé da rua
sentado na poltrona olhando pra porta ao me ver chegar.

entro não entro não entro entro não entro
que pedaço do avesso dedo há de apontar
dentro parte onde fico à espera do nada
alivia palavra solta à língua sai e volta
abeiçando qual cabelo me ponho,
que cabeça ficou pra trás
como descobrir na praiaque se pode perder a leveza.

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