27.2.06

 
Manda vir uma doceira
Das que traz
O braço
Lambível e perfumado.
Será que ela no meio da noite
Me engole as ventas
Ou canta uma canção espanhola?

Manda vir pra deslembrar
De todos os gostos
Uma mosqueteira
Que me espete os flancos
E me toe.

Manda um copo uma bandeja
Numa sede
Para vir andando
E me morder
Quando menos esperar.

Manda vir
Que preciso
Ser engolido mordido digerido.

(sobre solo de violão de julian bream)

!

Roda a saia
Alevanta os lábios
Sem preguiça
Cobre os rasgos da praga:
Malvadeza destoante
Com vazios catados no baú.

(não se leva a sério os cataclismos sem que se perceba
claramente de onde vêm para quê e como destroem.)

Crença de parecer calma
Gira à conta da dança
Sôfrego respiro
Para que os barcos
Passem e naveguem.

(quando parei na esquina foi para ver se vinha
ônibus, me infiltrar nele e ser silêncio de
presença trazendo carinho à flor na pele.)

Enquanto entrelinho
Até o ponto escolhido
De todo mais sincero
Que a dúvida ou a esperança
Mais para sempre e todo
Que o estar sendo encontro:
Rodam as saias livres.

!

Língua de rua advinda de outra língua
Guardada de som que não se distingue
Fica na caixola e perambula no tempo
Coletivamente inconsciente

Língua verbal casual coloquial gíria léxico
Una duna tena catena catanada ximixiba bananada
Substância do supra-sumo
Dialeto de área
Região comunicando região dentro da região
Histórica e fisicamente localizada
Etnia ababaía assim dizia:
- Alô malandragem, maloca o flagrante!

E cultiva a mistura
Zelando pelo componente da cultura
Língua frases locuções toques
E deixe que os estudiosos e críticos
Dêem nomes e mestrados e livros
Sobre a língua dos grupos em áreas.
Maríqui dóio.

Pinóia sabão de ouvido
Localização de área
Ginga do contexto brasileiro dança e música
No falado atrás dos cobres da madeira
Terra plena
Empanada e distribuída de cultura e museus.
Simplismo e teoria da facilidade
Copo de não água lésco frésco
Língua línguas agem língua línguas.

(a mensagem tem que ser entendido em segundos
segundo a língua dos meus entendimentos.)


!


Solta
Olha na brisa que à volta
Do seu paradeiro
Desembucha a ferida
Ou encarna o que cospe.
Solta
E depois fica louca
Com a banda na rua
Com as liras e a tuba
Com a caixa e o passo marcado
De como fossem deuses
Ou anunciação
Todos pisca-piscas.
Ou será tua lua?
Ou a brisa te escoa que não podes parar?

Volta
Nada tem de defeito
O que se arranja de engodo
É comprar laticínio
E comer latrocínio.
Qual nada
Falta luz na sacada.
Volta
Que a luz toda rouca
Nem desperta o segundo
Que seguinte o momento
Se explode em Acapulco.
Ou será claridade?
Ou o sol da coroa que o rio se dá?

Mira
E daí haja fila
Deparando com os becos
Recordando efeitos
Com hematomas sem memória.
Mira
O telescópio de onde roubaram a estrela
Ou seu brilho por Vera
E que existe uma mulher
Louca à procura do roubo.
Ou será tua sina?
Ou será uma pátria sem pê nem têrrê, que vaia?

25.2.06

 
Doías, por que não vinhas?
Esperei-te a tarde inteira,
Da janela ao pé da porta.
Dá-me um abraço suado

Com gosto de cheiro do mato
(de terra molhada da chuva caindo).
Prolonga o prazer por mais uns dias
Entre os que dançam, que luam

junto com os focos da rua,
junto com os goles nas pernas
deitadas nuas na rede.

!

ser o eixo do compasso
que une o ponto de apoio
ao traço
e circunscreve o ponto.

!

Se eu pudesse em teus ouvidos
Desejar palavras boas
Quais seriam
As tais e tolas
Que seriam aos meus sentidos
Por entre estar em tuas loas.

!

se toca fosse
chamego
viveria lambendo
suas entranhas:
e elas são.

!

sacro prédio
sacrilégio
saco médio
saquibanda
zás-cri-cri
sacro anseio
sacro ensejo
saco-délico-psiu.
saco à mil.
(do verbo
que saco!)

 
todos os lábios
são flores
pro corpo
pros olhos.

pra vida
todas as flores
são belas
mulheres
ao cheiro
de cada coração
ao sol da vida.

21.2.06

 

TPM 2000

milênio fálico, anos mil.
curvo, feminino: milênio 2 mil.

tensão para mudar,
tendo perdido os momentos
tantos pregados ao medo.
trajes pelados de mimos.

tolos pesares, os mesmos,
tragos parados, murchos:
tristes, parecendo móveis;
telúricos, principiando movimento.

tesão para mudar.
tensão pós mover-se.
tensão para mexer.
tesão pós melar-se.

26.1.06

 
na soleira da porta pé ante tapete assunta entrar
por la puerta
não aparecimento explícito
algo que move penumbra pelo visto ao vão translúcido
como mistério
vulto inexpresso
vontade de sabê-lo apenas curiosa atenção.
no que transpareço
a poltrona retrai calmamente afundando.

pendurada na parede estava minha sombra a tremer com a vela.
linhas do livro eram letras pulantes. só vistas.

assombrava no eixo fora de eixo
será dúvida da minha presença ao tapete da porta
ao assento da poltrona
qual lugar onde estava.
um pedaço de algo à deriva nas bordas de la puerta
aberta ao pé içável.

nas paradas da fruta qual mulher me ascende
gosto puro da volta à parada de mim
eu pra tudo parado.
será que bate à porta?
entra eu tu meu outro palavra d'eu
sobre o lençol d'água do mar solamente sol
crava o peito em vista de transparecer-me
ao vão da porta vendo-me.

a literatura é o que posso decifrar se estivesse escrito.
como se as letras fossem minhas
leio-me ao pé da rua
sentado na poltrona olhando pra porta ao me ver chegar.

entro não entro não entro entro não entro
que pedaço do avesso dedo há de apontar
dentro parte onde fico à espera do nada
alivia palavra solta à língua sai e volta
abeiçando qual cabelo me ponho,
que cabeça ficou pra trás
como descobrir na praiaque se pode perder a leveza.

 
amargo sono num sonho de mago catando amoras esmolas de barro
afago tesouros num fogo de ouro costuro casaco de cristas de galo
cristais no gargalo dodecassilábicos duas vezes na gola cortada de senso
carteira de escola barrada no berço tiziu fosso avesso de terço na mão
cuidado fatídico boreal burro tísico híbrido tonel de gosto atonal
boçal rosto intrépido calígula fosco buscando orquídeas num poço
de céticos espirros colossais pendurados no laço nariz entupido
abraço perdido espremido no baço lambido de sulco espreme
esperma lesmaticamente abrindo as pernas chamando com o dedo
esfrego espalho espanto esqueço espumo espero ist-ist-urra
degredo solícito apago no vento colunas de meia por baixo da pia
se quer alegria sequer solta as ventas de lamento ilógico
corrida dos deuses embaixo da terra catando cavaco no seio da fera
na terra no cio no brilho da esfera rosnando firulas na fila das ruas
tropeço de doido num bêbado lago espelho da lua num canto discreto
enfeito as farinhas jogadas na goela estreita caminha de pé sobre as telas
ruelas nanicas pequenas bananas deitadas na trilha das bicas de água
total mágoa d’água na trégua dos tolos fon-fons do automóvel.

quando o sol anuncia precipita uma pilha de adventos fortuitos
que se perdem com o rasgo que enroscam nas teias de asco e intuito.

20.1.06

 
antes de tu
já bem havias
antes de mim,

pois não pereço na idéia
de apareceres sem antes
ter me sido
me estado e
me feito.

 
antes da palavra
a sede da palavra,
e a causa do antes:
palavra antes
cala.

faz-se
sem antes feito:
a palavra.

 

Cabrunca Boréstia

E dizia e falava e pensava
E bebia e fumava
E compunha
E fazia e acontecia
E reinava e sorria
E chorava e fedia
E mentia
E comia e dizia e comia
E parava e dormia

 
O piso que tu pisas é fraco,
Que não escorre a água
Que concentra,
Que concentra na calha,
Na calha
Que te calha a vida.

O fraco que tu pisas é chão,
Que não absorve a vida
Que calça,
Que calça no vale,
No vale
Que te vale a água.

 
a Rosa
queria ser pêga.
assim como
o Espinho
que a queria pegar.
diferenciava
a maneira, o jeito.

e até que se acertassem,
ficaram anos
se espetando.

 
um balcão meio avarandado
uma porta meio caída
uma casa meio quebrada
e pelas ruas
um silêncio parecendo antigo
um brilho mais para fosco
umas roupas mais para espantalhos
uns homens mais para esquecidos.

e passo como esquecido
dizendo não
e participando
mais para constrangido
que para causador
mas saio causando náuseas
para meu estômago.

 
Solta
Olha na brisa que à volta
Do seu paradeiro
Desembucha a ferida
Ou encarna o que cospe.
Solta
E depois fica louca
Com a banda na rua
Com as liras e a tuba
Com a caixa e o passo marcado
De como fossem deuses
Ou anunciação
Todos pisca-piscas.
Ou será tua lua?
Ou a brisa te escoa que não podes parar?

Volta
Nada tem de defeito
O que se arranja de engodo
É comprar laticínio
E comer latrocínio.
Qual nada
Falta luz na sacada.
Volta
Que a luz toda rouca
Nem desperta o segundo
Que seguinte o momento
Se explode em Acapulco.
Ou será claridade?
Ou o sol da coroa que o rio se dá?

Mira
E daí haja fila
Deparando com os becos
Recordando efeitos
Com hematomas sem memória.
Mira
O telescópio de onde roubaram a estrela
Ou seu brilho por Vera
E que existe uma mulher
Louca à procura do roubo.
Ou será tua sina?Ou será uma pátria sem pê nem têrrê, que vaia?

 
Língua de rua advinda de outra língua
Guardada de som que não se distingue
Fica na caixola e perambula no tempo
Coletivamente inconsciente

Língua verbal casual coloquial gíria léxico
Una duna tena catena catanada ximixiba bananada
Substância do supra-sumo
Dialeto de área
Região comunicando região dentro da região
Histórica e fisicamente localizada
Etnia ababaía assim dizia:
- Alô malandragem, maloca o flagrante!

E cultiva a mistura
Zelando pelo componente da cultura
Língua frases locuções toques
E deixe que os estudiosos e críticos
Dêem nomes e mestrados e livros
Sobre a língua dos grupos em áreas.
Maríqui dóio.

Pinóia sabão de ouvido
Localização de área
Ginga do contexto brasileiro dança e música
No falado atrás dos cobres da madeira
Terra plena
Empanada e distribuída de cultura e museus.
Simplismo e teoria da facilidade
Copo de não água lésco frésco
Língua línguas agem língua línguas.

(a mensagem tem que ser entendido em segundos
segundo a língua dos meus entendimentos.)

 

sexo em três tempos

Sexo Lateral

Copo e taça:
Requinte
Transbordo e água,
Sexo
E um cheiro de cama suada.
Botão e fecho:
Segura
E tapa os buracos:
Escorre
Perna abaixo
E solta
Pros lados para cima
E para dentro.

Sexo Unilateral

Sentou-se ao meu lado
Olhou-me nos olhos
Sorriu-me um sorriso
Pegou-me a mão
Beijou-me a boca
Abraçou-me de tédio
Tirou-me a roupa
Cheirou-me o sexo
Lambuzou-me na cama.

Sexo Bilateral

Beijamo-nos
Suamo-nos
Gozamo-nos

Nos demos o silêncio.

 
se toca fosse
chamego
viveria lambendo
suas entranhas:e elas são.

 
Luz
Rastro lento – cata-vento de cruz –
Sinal
Passo de cadência tenaz
Se não possa viajar – parte atroz –
Caliente taça de tonel
Se nos traz.
Faz
Lastro sinistro
Paz de domus – seduz –
Toma caminho
Corpo-espaço retrai
Depois relaxa
Tensa manha de pus
Lágrimas caem na presença
Sagaz (de)

Po-
Vos vesperando larga
Trilha veloz
Que na cabeça plena
Clara se faz
Já não desprazeres – ruga voraz –
Epiderme traz a marca
E não jaz.

- paz –
Consegue risco
De esperança e de paz
Alenta fibra
Que adormece de nós
Rebrilha força
Que no tempo se pôs
E sai voando
Triste canto de luz.

(sobre tema musical do “Bolero” de Ravel)

 
caso o clima seja breu
não há caos que apague a luz
não há réu
nem ar
nem jazz
- fala minha a ver com Deus.

ignóbil luz à vista
sem distúrbios desconexos
feito mel que empoça o incesto
claro díspare com o tempo
rabo de porco nas ventas
praga rogada dos céus.

(sobre tema musical "se eu quiser falar comDeus" Gilberto Gil)

 
por
muitos
deuses
feitos
reses
vêem
pastos
largos
onde não só comidos
os estragos
passados
no cerebelo,
onde não só ruído, puído.

- Pausa:
para inventar
um super-ultra-hiper
deus que nos acuda
de mais um apelo
à fajutice aguda.
por
menos
falsas
reles
trutas

 
Manda vir uma doceira
Das que traz
O braço
Lambível e perfumado.
Será que ela no meio da noite
Me engole as ventas
Ou canta uma canção espanhola?

Manda vir pra deslembrar
De todos os gostos
Uma mosqueteira
Que me espete os flancos
E me toe.

Manda um copo uma bandeja
Numa sede
Para vir andando
E me morder
Quando menos esperar.

Manda vir
Que preciso
Ser engolido mordido digerido.

 
Se eu pudesse em teus ouvidos
Desejar palavras boas
Quais seriam
As tais e tolas
Que fariam aos meus sentidos
Por entre estar em tuas loas.

19.1.06

 
Nas ruas
Nas horas nas ruas
Na noite das horas nas ruas
Encontro um gosto seu
Um cheiro seu
A palavra, o silêncio seu
As mãos suas
Passeando comigo
Contando falando
E andando comigo.

 
Guardo as minhas coisinhas
Assim bem guardadinhas
Queridinhas e pequenas.

Guardo para os lemas
Para os temas
Para as veias minhas
Explodirem
Mais do que mesmo hoje posso.

 
Quando na minha presença
Sentires falta de mim,
Procuras-me na claridade
Ou na dissolvição;

Se ainda não me vires
Cata-me no teu pulsar,
Nas tuas costelas
Ou na garganta;

Se ainda não,
Vê se é a mim
Mesmo
Que procuras.

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